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Missão de inspeção com LiDAR C1

A simulação fecha a missão completa com um sensor de US$ 100, sem cadastro prévio da torre e sem RTK: 232 fotos por missão. O projeto está no ensaio de bancada do C1.

Versão 1.0| Emitido 21/08/2026| Origem Engenharia — Eletrovia Soluções em TI| Leitura 8 min
Em andamentoSituação do projeto

A simulação demonstrou a missão completa de inspeção com um único LiDAR de US$ 100, sem cadastro prévio da torre e sem RTK.

O roteiro percorre as três fases de ponta a ponta e cobre as três pás em doze passagens fotográficas mais três arcos de raiz, somando 232 fotos por missão. Toda a navegação é medida pelo próprio sensor. O projeto está agora na bancada, verificando as três frentes que ainda não têm resultado medido: a comunicação do Raspberry Pi com a interface, a comunicação do Raspberry Pi com o drone e o alcance útil do sensor em campo.

01Fase atual

FaseC1
Fase atual

Teste do C1 na bancada

O projeto está na bancada, verificando o que a simulação assumiu mas ainda não foi medido. São três frentes independentes: duas de comunicação, que provam que o dado do sensor chega onde precisa chegar, e uma de desempenho óptico, que prova que o dado existe em campo aberto.

Nenhuma delas depende de voo. As três acontecem antes de qualquer comprometimento de sensor ou de firmware embarcado.

#Frente em bancadaO que provaSituação
1Testes de comunicação e leitura
Raspberry Pi + C1 → interface web
Que o Raspberry Pi lê o LiDAR de forma estável e entrega as fatias a uma interface de visualização. É o que permite ver o dado bruto e conferir o que o sensor está medindo.Em execução
2Software de comunicação
Raspberry Pi + C1 → drone
Que o Raspberry Pi conversa com o drone pelo canal de dados da carga útil, entregando o resultado do processamento ao controle de voo. Sem isso o sensor enxerga, mas não comanda nada.Em execução
3Alcance útil sob sol direto
contra gel coat branco
Que o sensor entrega alcance de trabalho contra a superfície branca e brilhante de uma pá, sob luz forte — o pior caso para um sensor óptico barato.Pendente
Critério de aprovação do alcancePara a frente 3 o critério é objetivo: retorno estável a 6 m, que é o afastamento de trabalho das fases F0 e FA. Perda de retorno ou dispersão inaceitável nessa distância invalidaria o afastamento de perfilamento e obrigaria a repensar a arquitetura de percepção.

02A pergunta que este trabalho responde

Inspecionar uma pá de aerogerador exige aproximar o drone o suficiente para fotografar dano de milímetros, em uma estrutura de 150 metros de altura, sem tocar nela. A prática corrente resolve isso com cadastro prévio da torre — alguém mede a máquina antes — e com posicionamento RTK, que exige base montada em campo e enlace estável.

Ambos custam: o cadastro custa uma visita anterior e envelhece a cada manutenção; o RTK custa equipamento, montagem e um ponto a mais que pode falhar. A pergunta era se dá para eliminar os dois.

O mecanismo centralA resposta da simulação é sim, e o mecanismo é mais simples do que parece: o LiDAR mede uma fatia horizontal dez vezes por segundo, e o drone subindo empilha essas fatias. A pilha de fatias é a nuvem de pontos 3D. Como a fatia sobre a torre é sempre um arco de círculo, e um círculo determina por completo as duas coordenadas horizontais, casar fatias sucessivas dá posição centimétrica sem satélite nenhum.

03O sensor de US$ 100 e o que ele não faz

Custo do sensor
US$ 100
Unidade única. Sem redundância, sem IMU dedicada.
Peso embarcado
110g
Consumo de 2,5 W. Impacto desprezível na autonomia.
Carga de CPU
< 5%
Processamento a bordo, sem depender de enlace.
Alcance de trabalho
8m
Adotado com folga sobre os 12 m nominais. Afastamento de percepção: 6 m. Contra ~60 m de um sensor de longo alcance.

O sensor é um LiDAR 2D com 12 metros de alcance nominal e resolução angular de 0,72°. É pequeno, barato e limitado — e a arquitetura foi desenhada em torno dessas limitações, não apesar delas.

O planejamento trabalha com 8 metros, não com os 12 nominais, e o afastamento das fases de percepção é de 6 metros. A folga existe de propósito: o número que o fabricante publica é obtido em condições de laboratório, e a bancada dirá quanto sobra em campo.

O que ele resolve

Percepção de perto

A 6 metros da superfície, entrega 7,4 cm de resolução dentro da fatia e 3 cm entre fatias. Densidade suficiente para extrair a geometria da pá e navegar por ela.

O que ele não faz

Enxergar de longe

Além de 8 metros o planejamento não conta com retorno. Na decolagem, a 30 metros da torre, ele é literalmente cego — e é essa lacuna que o telêmetro da câmera existe para fechar.

A missão nunca depende de um sensor só nos momentos críticos. Durante toda a aproximação inicial há duas medidas independentes da mesma distância, do LiDAR e do telêmetro. Divergência acima de 0,5 m interrompe o avanço automaticamente.

Por que 6 metros de afastamento

O afastamento de percepção não é escolhido por conforto: ele é imposto pela geometria da torre. A torre afina de 2,0 m para 1,3 m de raio da base ao topo, então a superfície mais distante do drone está a 6,7 m quando ele voa a 6 m do costado. Isso deixa 1,3 m de folga dentro do alcance de trabalho — margem suficiente para o perfilamento não piscar sob ruído.

Voar mais longe economizaria nada e custaria caro: a 8 m de afastamento a superfície do topo da torre fica a 8,7 m, e o perfilamento cega por completo — foram 6 de 6 fatias sem retorno no ray-cast da simulação. E é justamente o perfilamento que constrói a nuvem e dá posição sem RTK.

Densidade da nuvem
442pontos/m²
Espaçamento de 7,4 cm dentro da fatia e 3 cm entre fatias.
Pontos por seção da pá
26
Contra uma corda de cerca de 2 m naquela altura.
Folga do perfilamento
1,3m
Distância que sobra entre a superfície e o limite de trabalho.
Guarda de proximidade
8m
A 1,0 m/s de deslocamento, 8 segundos de aviso para o imprevisto.

O afastamento de percepção não afeta o produto da inspeção. As fotos são tiradas pela câmera a 15 m, e esse número depende do zoom da H20, não do LiDAR. O sensor guia o drone até a posição certa; quem fotografa é a câmera.

⚙Detalhe técnico — como a torre é encontrada sem cadastro▼

A aquisição inicial usa o telêmetro laser da câmera, varrendo o gimbal de −30° a +30° em passos de 1°. Fora da torre o feixe se perde; sobre ela devolve cerca de 30 m. A transição entre os dois estados marca as bordas da estrutura.

Uma torre de 4 m de diâmetro vista de 30 m de distância subtende 7,6°. Varrendo de 1° em 1° obtêm-se cerca de 7 acertos sobre a estrutura — o suficiente para calcular direção, distância e diâmetro. Se o diâmetro calculado cair fora da faixa de 2 a 6 m, a missão aborta antes de sair do lugar.

Durante o perfilamento vertical, cada fatia passa por ajuste de círculo por RANSAC e por casamento ICP 2D contra a fatia anterior. O erro de pose é corrigido fatia a fatia:

a cada fatia (10 Hz):
    pontos = C1.ler()
    circ   = RANSAC_circulo(pontos)
    registra(altura, circ.centro, circ.raio)
    delta  = ICP_2D(fatia, anterior)
    pose.corrige(delta)
    nuvem.acumula(pontos, pose)

eixo_torre = ajuste_reta(centros)

A altura do cubo não é lida de cadastro: ela é medida. No topo, o arco circular simplesmente acaba de aparecer nas fatias, e essa é a definição operacional do fim da torre. Logo em seguida surge um retângulo — a nacele — cuja direção dá a orientação dela.

Fonte: roteiro F0, etapas 0.2 a 0.5 do simulador.

04Como a missão funciona — três fases

A missão não tenta fazer tudo de uma vez. Ela primeiro descobre a máquina, depois modela a máquina de perto, e só então fotografa de longe, guiada pelo modelo que ela mesma construiu.

F0

Aquisição sem cadastro

Encontra a torre com o telêmetro da câmera, aproxima-se e sobe perfilando. Ao final, torre, altura do cubo e orientação da nacele estão medidas.

Afastamento6 m
Sensortelêmetro + LiDAR
Produzeixo e altura da torre
FA

Modelo, de perto

Segue as três pás da raiz à ponta, a 0,3 m/s e 6 m de afastamento. Cada fatia é uma seção da pá. Termina com re-fatiamento em software e confirmação do operador.

Afastamento6 m
SensorLiDAR
Produznuvem 3D das 3 pás
FB

Fotografia, de longe

12 passagens fotográficas mais 3 arcos de raiz, navegando pelo modelo. O LiDAR sai de percepção e vira guarda de proximidade 360°.

Afastamento15 m
SensorLiDAR em guarda
Produz232 fotos
Confirmação humana obrigatóriaEntre a Fase A e a Fase B existe um portão: o modelo é enviado ao operador — cerca de 400 bytes — e ele revisa e confirma antes de qualquer trajetória fotográfica voar. Nenhuma rota de inspeção é executada sobre um modelo que uma pessoa não aprovou.

Por que o afastamento fotográfico é 15 m e não 25 m

A 15 metros, os dois níveis de resolução saem da mesma posição, mudando apenas o zoom: varredura a 1,0 mm por pixel e detalhe a 0,3 mm por pixel. A 25 metros, o nível de detalhe exigiria uma distância focal acima da disponível no equipamento — seriam necessárias duas passagens em vez de uma.

⚙Detalhe técnico — aproximação pela raiz e o corte oblíquo▼

Por que a pá é sempre abordada pela raiz

Pense num ponteiro de relógio. Um pequeno erro de hora quase não desloca quem está perto do centro, mas move a ponta vários centímetros. A pá é o ponteiro, e o cubo é o centro.

O rotor é freado com a intenção de parar em posição de Mercedes, mas não para exatamente ali. Um desvio de azimute desloca a pá proporcionalmente ao raio: perto do cubo o erro é pequeno; na ponta, o mesmo desvio vira dezenas de metros.

posição prevista posição real (desvio 20°) 20° cubo alcance de trabalho 8 m 3,8 m — cabe 20,8 m — não cabe raiz · 10,8 m ponta · 60 m
O mesmo desvio, dois resultados. Chegando pela raiz, a pá continua dentro do círculo de alcance mesmo com o rotor 20° fora do lugar — o sensor a encontra. Chegando pela ponta, ela está a 20,8 m do ponto esperado: o sensor mira o vazio e a missão não tem como saber onde a pá foi parar.

Ir direto ao meio da pá seria apostar na posição. Pela raiz, o erro cabe dentro do alcance do sensor. A aproximação vai fechando devagar e a pá é adquirida durante esse fechamento, não de uma vez: o drone só assume o afastamento de trabalho de 6 m depois que a seção já está aparecendo de forma estável na fatia.

O ponto de partida da aproximação fica a 13 m laterais do eixo, mas somando a profundidade a pá está a 15,3 m dali — fora de alcance. Não há um instante único de aquisição: ela se dá ao longo do fechamento, à medida que a seção entra no alcance do sensor.

A pá inclinada e o corte oblíquo

Pense em fatiar um salame. Corte perpendicular, sai uma rodela redonda. Corte enviesado, sai uma fatia oval, mais comprida. É o mesmo salame; o que mudou foi o ângulo da faca.

O LiDAR corta sempre na horizontal, porque é assim que ele é montado. Numa pá em pé, isso dá uma rodela fiel. Nas duas pás inclinadas, dá uma fatia esticada.

Pá em pé — corte fiel fatia do LiDAR (horizontal) eixo da pá perfil verdadeiro Pá inclinada 30° — corte esticado a mesma fatia horizontal eixo da pá perfil alongado 2× = 1/sen(30°)
O corte enviesado não compromete o modelo. Os pontos medidos estão todos sobre a superfície real da pá — só chegaram numa ordem diferente. A rodela verdadeira é recortada depois, no computador, cortando a nuvem em planos perpendiculares ao eixo que foi medido.

Isso não corrompe o modelo, porque o modelo não precisa de cortes perpendiculares — precisa de pontos sobre a superfície. A seção verdadeira é extraída depois, em software: ajusta-se o eixo de cada pá sobre a nuvem por PCA e corta-se em planos perpendiculares a esse eixo.

Portão de qualidade antes de fotografar

azimute_medido = mediana(eixos ajustados)

se |ang(P1,P2) - 120| > 3:  REJEITA
se residuo_rms > 25 cm:     REJEITA

Se as pás medidas não estiverem a 120° uma da outra dentro de 3°, ou se o resíduo do ajuste passar de 25 cm, o modelo é rejeitado e a fase fotográfica não começa.

Densidade obtida por pá: cerca de 1.630 fatias, ~20 pontos por fatia na corda, cerca de 442 pontos por metro quadrado no afastamento de 6 m — 34 % mais denso que os 332 pontos/m² que o afastamento de 8 m rendia.

05Cobertura e volume de fotos

Cada pá tem quatro superfícies que precisam ser fotografadas, e elas ficam em lados opostos do plano do rotor. São 3 pás × 4 faces = 12 passagens lineares, percorridas alternadamente da raiz à ponta e da ponta à raiz para evitar deslocamento morto, mais um arco de raiz por pá.

Fotos por passagem
18
49,2 m de envergadura, disparo a cada 2,72 m.
Fotos por pá
77a 78
72 nas 4 passagens lineares + 5 ou 6 no arco de raiz.
Total por missão
232fotos
216 nas 12 passagens + 16 nos 3 arcos de raiz.
PáIntradorsoBordo de ataqueExtradorsoBordo de fugaArco da raizFotos
P1 · 12 hB1 · 18B2 · 18B3 · 18B4 · 18R1 · 6 órbita 360°78
P2 · 4 hB5 · 18B6 · 18B7 · 18B8 · 18R2 · 5 arco 290°77
P3 · 8 hB9 · 18B10 · 18B11 · 18B12 · 18R3 · 5 arco 290°77
Total5454545416232

Contagem no nível de varredura, a 1,0 mm/px. O nível de detalhe, a 0,3 mm/px, é obtido nas mesmas estações apenas mudando o zoom — foi para isso que o afastamento de 15 m foi escolhido.

A ordem das faces é intradorso → bordo de ataque → extradorso → bordo de fuga. Não é arbitrária: assim cada troca é um quarto de arco em torno do eixo da pá, de 90°, nunca um salto de 180° que atravessaria a estrutura.

Prioridade

Bordo de ataque

É a superfície onde ocorre a erosão — a mais crítica das quatro. Recebe o melhor nível de detalhe da missão.

Estrutural

Arco da raiz

Os primeiros 10,8 m não têm as quatro faces: ali a pá ainda é o cilindro do rolamento de passo. É onde o momento fletor é máximo, onde ficam os parafusos de raiz e a linha de colagem.

Restrição

Arco incompleto

Em duas das três pás a órbita da raiz não fecha 360° — um setor cairia na zona de exclusão da torre. A face é coberta pelas estações que flanqueiam o setor.

Verificação de coberturaMesmo com o arco de raiz incompleto, não sobra um único grau de circunferência sem cobertura útil. O trecho que a órbita não alcança é fotografado a 35° de incidência pelas duas estações vizinhas. O preço é resolução efetiva 1,22× a nominal nessas duas estações, compensada com mais zoom.

06O que a arquitetura entrega e o que ela custa

O que entrega

Elimina três dependências

  • Sem cadastro prévio — torre, altura do cubo e orientação da nacele são medidas na hora.
  • Sem RTK — nenhuma base em campo, nenhum enlace de correção. A navegação é relativa e medida pelo sensor.
  • Sem odometria inercial — nenhuma IMU dedicada; o casamento de fatias substitui a integração inercial e não acumula deriva.
  • Sensor de US$ 100 e 110 g, com carga de CPU abaixo de 5 %.
O que custa

Reduz a margem de reação

  • A distância de reação cai de cerca de 60 m para 8 m. O sensor é nominal de 12 m, mas o planejamento adota 8 m para ficar conservador dentro do limite do C1.
  • Sem redundância de sensor de percepção: o LiDAR é único.
  • Exige procedimento disciplinado — aproximação pela raiz, contato contínuo com o alvo, aborto automático por discrepância entre as duas medidas.
  • A fase fotográfica depende de um modelo construído na mesma missão, e portanto do portão de qualidade e da confirmação do operador.

07Andamento

Onde cada frente do trabalho está hoje. Nada aqui depende de decisão da diretoria — é o retrato do que já foi provado e do que está em verificação.

FrenteSituaçãoO que já está estabelecido
Arquitetura de percepçãoSimuladaMissão completa demonstrada de ponta a ponta, nas três fases, com ray-cast do sensor a cada fatia.
Roteiro de vooSimuladoAs 12 passagens, os 3 arcos de raiz e todos os trânsitos entre pás, com verificação de folga contra o modelo.
Cobertura fotográficaVerificada232 fotos por missão, sem grau de circunferência descoberto na raiz.
Portões de segurançaDefinidosAborto por discrepância entre sensores, portão de qualidade do modelo e confirmação do operador antes da fase fotográfica.
Alcance do sensor em campoEm ensaioBancada em curso. É a única premissa da arquitetura ainda sem número medido.
Implementação embarcadaAguardando ensaioRetida por decisão da engenharia até o resultado do alcance, para não comprometer sensor e firmware sobre premissa não verificada.
Leitura da engenhariaA troca é favorável: a arquitetura elimina cadastro, RTK e IMU dedicada em troca de margem de reação menor, e a margem menor já tem procedimento de contenção desenhado e simulado. O ensaio de bancada em curso é o que converte a última premissa em número.
Simulação interativa

Veja a missão sendo executada

O roteiro completo passo a passo, em três vistas simultâneas: elevação frontal, planta superior e a fatia que o LiDAR enxerga naquele instante. Os controles permitem desviar a parada do rotor e trocar alcance e afastamento — quando a bancada devolver o número, basta digitá-lo ali para ver a consequência na missão inteira.

Ver simulação →